sábado, 14 de fevereiro de 2015

Capibaribe

Capibaribe

Capibaribe, velho ribeirão,
Passa a carroça
E o moleque trepida com o cipó na mão;
Passa o lixeiro, automóvel, o cheiro de chumbo e de óleo,
Passa o pipoqueiro vendendo pipoca e fumaça,
A fuligem que passa e o alcatrão;

Capibaribe da Aurora,
A tua glória parece que não passa;
Mas passa tanta vida
Carnavalesca ou não;
Pirilampos, romances, passaram, passarão
Por algum ponto de tua extensão;

Capibaribe, não és essa água ou leito
E sim o sólido da alma, detrás do peito,
Atravessada por pontes, Blocos e bondes,
Ultrapassada por sonhos, álcool, poetas,
Triscada por Galos, por saltos, favelas,
Correntezas de humores, Reis momos ou não

Capibaribe, meu irmão,
Tablado de frege, barracas, bagulhos, bijouterias,
Elefantíases, moças medonhas, odores e gritarias,
Espetos de queijo, de bicho, de gente, tapiocas,
Tua face central, borrada de lama,
Sorri, sósia minha, não conheço outra não!

Capibaribe, guerreiro sem lança, sombrinha na mão,
Sinfonias de frevos, gabirús e mosquitos
Correnteza lírica, palco de delitos,
Iluminado clarim, ferrugem sem grito,
Passam por ti, aurora e arrebol,
Capibaribe, meu irmão, abre-te rugas, a espada do Sol.


Poema: Capibaribe
Publicado na "Oficina de Poesia" 
Revista da Palavra e da Imagem nº 15, II série semestral, Março 2011
Editora: Palimage - A Imagem e A Palavra
Lisboa, ISSN 1645-3662



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Carta para Aldemar Paiva

Carta para Aldemar Paiva


No palco da vida, foste um presente alagoano lindo para Pernambuco. Mas Pernambuco, às vezes, se esquece das dádivas que já recebeu. Por isso, cabe-nos a rotina da boa recordação. "Um sorriso, um abraço e uma flor: tudo isso é você na imaginação". E não foste apenas uma flor: foste um Jardim de Flores Raras. Com humor, fizeste poemas. Com poesia, contaste causos. Com jornalismo, escreveste canções. Sem nunca esquecer a tua cidade natal, insististe em nos dizer que Pernambuco é terra boa, o quão rica e bela é a nossa natureza, variada é a nossa cultura e importante é o nosso folclore.

Na Rádio, conduziste gostosas conversas espontâneas, feito um amigo íntimo da gente. Na prosa, foste um mestre. Nos causos, foste tanto arlequim, quanto pierrô. Na voz, foste elegância e firmeza. Para a nossa sorte, tu te fizeste o nosso poeta da saudade. Junto com Nelson Ferreira, José Menezes e outros, escreveste páginas notáveis no imenso livro do lirismo carnavalesco pernambucano. "Serpentina ou confete, carnaval de amor: tudo é você no coração". E sempre com carisma ímpar e sorriso farto, trilhaste brilhante trajetória artística nos festejos de Momo, nos estúdios das Rádios, nos palcos dos Teatros, nas páginas dos livros. Quanta risada gostosa arrancaste de nós, ao narrares tuas estórias engraçadas... Quantas lágrimas minaram dos nossos olhos, ao colocares pitadas de drama nas palavras... E no total domínio e genialidade desse teu ofício criativo, foste um grande espetáculo para o público. Aplausos mil para ti. Não houve sentimento imune às tuas palavras. E até os emblemas mundiais, como, por exemplo, o Papai Noel, rendeu-se e desmantelou-se diante do teu discurso simples e profundo de menino puro das Alagoas.

"Você existe como um anjo de bondade e me acompanha nesse frevo de saudade". Eu daria muito por mais um dedinho de prosa ao teu lado. Só iria escutar. O pouco de oportunidade que tive, valeu demais à pena. Mas agora, diante dessa distância indizível, cabe-nos sorrir com a lembrança da tua volumosa, alegre e sábia imagem, seguindo os preceitos que aprendemos contigo, afinal "quem tem saudade não está sozinho: tem o carinho da recordação. Por isso, quando estou mais isolado, estou bem acompanhado com você no coração".



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dia do Frevo - Pura Viração

Dia do Frevo - Pura Viração

E para comemorar o Dia do Frevo, música nova saída do forno intitulada PURA VIRAÇÃO, feita em parceria com o compositor e músico Luciano Magno. Um frevo alto-astral, alegre, olhando para o futuro e com o pé sempre na MPB. Abaixo, você pode escutar a música na voz de Luciano Magno, numa gravação recente realizada para o CD Um Bloco em Poesia - 15 Anos e também conferir a letra. Curta, divulgue, compartilhe!




Pura Viração
João Araújo e Luciano Magno


Eu sou poeta, 
Ela, escorpião,
Eu trabalho a beça
E ela, malhação,
Em dia de chuva 
Prefiro me molhar
E ela se desculpa
Em noite de luar
A nossa história
Nunca vai se acabar

Ela apaga vela,
Eu rezo pra santa
Ela canta e é bela
Nunca entrei no tom
Se faz feriado
Ela quer viajar
Já eu acordo tarde
E digo que vou ficar
A nossa história
Nunca vai se acabar

Amor singular, estranha paixão 
Um veio de Tróia, o outro da Grécia
Eu sou lá da praia, ela é do sertão
O nosso romance é pura viração

É pura viração,
Pura viração,
Pura viração, pura!
Mais pura viração,
Pura viração,
Pura vira viração!

Amigo da Cultura 2015

Quero agradecer à homenagem que recebi na última sexta-feira 06 de Fevereiro de 2015, no 15° Baile Monumental realizado em Olinda, Pernambuco. O Troféu que me foi concedido chama-se Amigo da Cultura 2015 e na descrição do mesmo consta que o recebi pelos serviços prestados à Produção Cultural de Pernambuco como compositor, poeta e escritor. 

Como eu não pude estar presente, o meu pai, que também se chama João Araújo, foi o meu representante e recebeu o Diploma das mãos do Sr. Seronildo Guerra. Fico muito feliz com esta homenagem e gostaria de registrar aqui a minha gratidão a todos os envolvidos neste evento.

Seronildo Guerra e João Araújo


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Dia do Frevo - Ruas, Blocos e Canções

Dia do Frevo - Ruas, Blocos e Canções


No dia 09 de Fevereiro, em Recife, também comemora-se o dia do Frevo. O Frevo transcende o status apenas de gênero musical da música popular brasileira (o que já seria o suficiente) composto pelas vertentes frevo-de-rua, frevo-canção e frevo-de-bloco. Hoje, o Frevo trata-se de uma manifestação cultural que envolve a dança, a música, as alegorias, o folclore, a integração e dinâmica entre diversos Blocos, Orquestras de Pau-e-Corda e Orquestra de Metais, grupos de seguidores e carnavalescos, além de movimentar todo um fluxo socioeconômico de grande importância para a região e história da nossa cultura. O Frevo, portanto, representa a alma de um povo, traduzindo a sua essência e raízes.

Em Dezembro de 2012, o Frevo recebeu o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A seguir, o poema Ruas, Blocos e Canções foi composto para homenagear o Centenário do Frevo, virando depois uma parceria musical entre João Araújo e Luciano Magno e sendo interpretada pelo cantor André Rio no CD 10 Anos de Poesia. Você também pode assistir ao Clip Musical desta composição:



RUAS, BLOCOS E CANÇÕES
João Araújo e Luciano Magno


Meu Frevo surgiu
Da espada e da flor...
O filho da raça de um povo, 
Da gente,
da massa que sempre cantou...
Bebendo do Capibaribe,
Dos becos do velho Recife,
Do poema que o sangue é capaz,
Das pontes e bairros tradicionais...

O Frevo cresceu
Com a força e o calor
Do salto de um capoeira,
Beirando 
o infinito que um dia tocou...
Do brilho dos seus arrecifes,
Do sonho que um poeta já disse,
Orquestra, maestro, metais,
Sombrinhas solares, flabelos da paz...

O Frevo expandiu
Pela Terra, o fulgor...
Na esfera azulada, os clarins
Tocaram o que o povo sempre desejou...
Pastora, passista, cordões,
Bem-vindos aos corações...
Solfejo na voz dos corais
Regendo o segredo de mil carnavais

Toca o Frevo...
Toca mais...
Blocos, Canções, Frevos-de-Rua...
Evoluções feito a Lua,
Quando beija o Sol no Mar...


http://www.jpoeta.blogspot.com/
http://www.umblocoempoesia.blogspot.com/

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Homem-santo

Homem-santo 


Retirem 
Os pilares secretos 
Que sustentam os Homens-santos...

Procurem 
Parafusos certos 
No projeto do Homem-santo… 

Recolham esse preciso 
Adjetivo do que é santo 
E desloquem o seu pedaço 
Para qualquer outro canto...

Verão 
cair o traço do Homem-santo
Tombar 
o santo do Homem santo
Baixar 
a estatura daquele Homem 
Restar 
a fome de um homem só 
Uma forma 
pura em dom menor 
Balé 
estanque e decrescente, 
Somente 
porção do que era pó...



Poema: Homem-santo
Publicado na "Oficina de Poesia" 
Revista da Palavra e da Imagem nº 15, II série semestral, Março 2011
Editora: Palimage - A Imagem e A Palavra
Lisboa, ISSN 1645-3662

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

DÉCIMA DO FREVO

DÉCIMA DO FREVO
(João Araújo)
Assista ao Video do Youtube para este Poema 
na voz de Renato Phaelante e música incidental de Luiz Guimarães



I


O Frevo é festa, é luz, a voz do povo,
No fogo, ardem pernas, mil sombrinhas,
Passista voa sem perder a linha
E é tão sublime o seu feroz corcovo
Que a gente anseia ele arder de novo…
Nos ares, rasgam corpos, qual cavalos
Que lutam contra a gana de domá-los
E mais parece a vida estar parada
Perante audaz destreza e fé passada
Por tal gingante mostra de regalo…


II

No início foi vilão, esse menino,
Seguia a contramão, o capoeira,
Quicés, rabos-de-arraia e peixeiras,
Um farto repertório libertino,
Que da contravenção fez mal ensino…
Depois dessa maléfica etapa,
O tempo arrefeceu a quente chapa,
Em vez de violência, viu-se arte,
O mapa transformou-se em grande parte
E hoje flui a dança sem zurrapa…



III

Brotaram girassóis nas avenidas,
Sacis, locomotivas e rojões,
Mil saltos atiçando as sensações,
Porvir da resistência renascida…
Na cor pernambucana esculpida,
O frevo, enfurecida dança rara,
Sentiu arder a chama que o brotara…
Tesouras laminosas, dobradiças,
Ao vê-las, qualquer alma se enfeitiça,
Qualquer atrevimento se escancara…


IV

A ordem é incentivar as mentes
Das multidões a se afoitar no passo,
Parece mais um furacão no espaço
Ou rebuliço de um vulcão fervente…
Das profundezas da heróica gente
Coreografias, mandigueiras febres,
Diverso espasmo, ansiosa lebre,
Leis do improviso, bafejar de touros,
Tudo isso ergue um secular tesouro,
Rogo jamais que seu cristal se quebre!


V

Grande frevo, um símbolo de luta,
Resistência que o sol forjou nas vidas
Contra elites, a prima investida,
Contra a moda, em riste, a batuta…
Vai vencendo agressões e força bruta,
Levantando um castelo cultural,
Impagável troféu descomunal,
De expressão popular e erudita,
Tradição, modernismo e a bendita
Transcendência voraz do carnaval…


VI

O cabo, a haste, a vassoura, o farol,
Viris imagens do frevo-de-rua,
Imenso rol das façanhas mais cruas
Do militar, da espada e do Sol,
Onde é império, opulento paiol…
Frevo-coqueiro, de notas agudas,
Frevo-de-abafo, contendas raçudas,
E o ventania por onde atua
Semicolcheia que o tempo recua
Pelos metais, na estridência desnuda…


VII

Das saudades, da flor, lira, violões,
Feminina imagem traz os blocos,
No coral, as pastoras são o foco
Propagando solfejos e emoções…
A seguir seus flabelos e brasões,
Pau-e-corda desenha o bailar,
E do nobre poeta, a recriar
Todas glórias eternas do amor,
O cordão invisível faz furor
E evolui na magia do luar…


VIII

Mais um terceiro, o frevo-canção:
Na força herdeira do frevo-de-rua,
Na voz, o cheiro dos blocos da lua,
Traz tão festeiro cantar ao salão…
Vem, a guitarra, ganhar atenção,
Trios elétricos tocam vorazes,
Os seus intérpretes chamam os azes
Para pularem na louca avenida,
Por toda a parte, a geral incontida,
Grita feliz as canções contumazes…


IX

Segue herói, nosso frevo pela estrada
Vai no oito-e-oitenta da emoção
Por um lado essa brasa da paixão,
Pelo outro, essa paz da madrugada…
Ó vilão mais sagrado da emboscada!
Militar mais preciso da folia!
Teu lirismo saúda a noite e o dia,
Tua história ensina a ser guerreiro
Grande frevo, devasso e brejeiro,
Nobre voz que do peito traz poesia…


X

Seguirás forte, nordestino canto,
Nunca fraquejes, meu melhor amigo,
Pois se morreres, morrerei contigo,
Parte-se a lira e todo o seu encanto…
Quero comigo o ardor do manto,
Essa esperança a desfilar renhida,
A resistência que da alma é lida,
Esse clamor, ó meu fiel lanceiro,
Da fé medida, o relutar certeiro,
Nas ruas, blocos e canções da vida…



Poema: Décima do Frevo
Recitado no CD "10 Anos de Poesia"  (2010)
Voz de: Renato Phaelante
Músicas incidentais: frevos-de-rua de  Luiz Guimarães

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Academia de Literatura e Artes

Gostaria de agradecer aos diretores e organizadores da AILA (Academia de Literatura e Artes) que me convidaram para ser membro da mesma. A cerimônia de posse ocorreu no dia 25 de setembro de 2014 (Quinta-feira), no auditório da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE). Como eu estava na Alemanha, o meu pai foi me representar, recebendo o diploma e a carteira de membro. A minha família esteve presente. Obrigado a todos os presentes neste evento.



Carnaval de Pernambuco: Meu Principado

foto extraída do Blog do Coral Edgard Moraes

Na data comemorativa dos 25 anos de fundação do Coral Edgard Moraes, eu e o meu parceiro Luciano Magno elaboramos uma composição chamada Meu Principado. Para criar o poema, eu me coloquei no lugar das integrantes do referido Coral, que são herdeiras do compositor Edgard Moraes e do seu irmão, o Raul Moraes. Ambos legaram obras musicais de um lirismo ímpar para Pernambuco. Portanto, o texto fala dessa herança musical que elas receberam dos irmãos Moraes. A nossa composição, depois, foi gravada no CD Cantos & Encantos, recebendo um arranjo do Luciano Magno e sendo interpretada por Valéria Moraes e pelo Coral Edgard Moraes. Aqui, segue o poema que gerou a nossa composição:


 MEU PRINCIPADO
João Araújo e Luciano Magno


Cresci ouvindo o canto trovador
Do principado dos irmãos Moraes,
Meus ancestrais, que a Lira tanto amou,
Tecendo as suas rendas musicais...

Carrego a Lua, a Noite e o Arrebol
São meus flabelos e a feminina luz
Que eu liberto aqui de dentro é Sol,
Esse cantar, que só o amor produz...

Eu sou Saudade, Aurora contumaz,
Com o Marco Zero do meu coração,
Revejo a minha gente, e é bom demais,
Que chega a gente chora de emoção...

Eu sou a praça que se dá as mãos,
Sou a fusão da força com a paz,
Reinventando um Bloco sem cordão,
Pra além da glória desses carnavais...


foto extraída do Blog do Coral Edgard Moraes

sábado, 24 de janeiro de 2015

Bloco "Flabelos Cantantes" homenageia compositores

Em Pernambuco, o Bloco Carnavalesco "Flabelos Cantantes", cujo presidente é o Ricardo Andrade, realizou uma homenagem a diversos compositores. A ideia foi vestir a ala de fantasiados do Bloco com uma fantasia cuja a estampa traz imagens de vários compositores. Entre esses compositores, tive a honra e alegria de ser homenageado. Na foto abaixo, encontro-me na estampa da fantasia mais a esquerda. Aqui registro a minha gratidão ao presidente do Bloco, diretoria e demais integrantes por essa homenagem.

Nas estampas das fantasias os compositores:
João Araújo, Ricardo Andrade, Eli Madureira e Edgard Moraes.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Diversidade, esperança e oportunidade

Diversidade, esperança e oportunidade

A metáfora de que o país é uma nau que prossegue por entre bonanças e tempestades não é tão boa quanto alguns pensavam. O capitão assumiria a triste imagem de um ditador e nós, os marujos, tingiríamos o nosso rosto de marionete com o doce brilho da cegueira. Com a cabeça focada nas manutenções rotineiras da embarcação, às vezes nos esqueceríamos do rumo a se tomar e, pior ainda, estaríamos aprisionados na rota imposta pelo “capitão”. Portanto, a metáfora não serve e, se quisermos ainda insistir na alegoria, teríamos que repensá-la melhor.

Não precisamos de muita teoria para percebermos que se torna muito mais cinza um mundo sem diversidade. Se consumirmos apenas um tipo de nutriente, a dieta fica demasiado empobrecida e o organismo sucumbe. No plano político atual, a nuvem cinza que paira sobre os nossos lares é ainda mais escura. Hoje parece que aceitamos muito facilmente as soluções paliativas que os governantes nos oferecem. Olhamos para o lado e não escutamos mais o nosso grito refletido na voz de uma oposição vigorosa. Defende-se muito o discurso democrático, mas se utiliza deste lema para se distribuir cargos, minar a crítica construtiva de qualquer possível oposição e fortalecer cada vez mais um único tipo de discurso e conduta política.

No Brasil de hoje há uma inflação de instituições públicas sustentadas mensalmente por nós. Não vemos o retorno esperado por tudo o que pagamos. São 39 ministérios e órgãos federais que, na prática, servem para solidificar alianças políticas de forma a se manter no poder. Já perdemos nessas contas: paga-se muito e o retorno é pequeno. Oferecem-nos sempre incontáveis soluções paliativas. Os governantes fazem infundados acordos com outros países e distribuem ajudas financeiras com o nosso dinheiro público. Do lado de cá, esse mesmo nosso dinheiro público é utilizado para distribuir bolsas mensais para a população de baixa renda, sem critérios eficazes de fiscalização, melhoria real da qualidade de vida das pessoas e perspectivas de um futuro melhor. 

Oferecem-nos festivais de circo. O problema não é, por exemplo, termos sediado mais uma Copa do Mundo, mas sim, termos assistido o governo federal prontamente correr contra o tempo para dar cabo de obras bilionárias exigidas pelos organizadores do evento. Enquanto isso, ainda assistimos diariamente festivais de horror em nossos hospitais devido à falta de condições básicas. O problema não é ter perdido o Campeonato Mundial, mas sim perder diariamente em qualidade de saúde, educação, transporte, segurança, infra-estrutura e gestão pública. Qual é o nosso foco afinal? Quais são as nossas prioridades? A seleção brasileira perdeu novamente em casa. Menos mal. Pior é ver o país continuar sendo derrotado inúmeras vezes no plano político, social e econômico. É inegável que o país precisa de mudanças urgentes.

Temos que buscar força e fé para lutarmos pela nossa própria casa. O pensamento sadio e crítico deve ser restabelecido, devemos valorizar a discussão política. Devemos nos interessar e integrar mais neste processo de melhora do país, nas possibilidades de mudança, de transformação, de modernização. Não podemos deixar que quaisquer governantes usem desse poder que nós próprios lhes confiamos para calar este valor da cidadania. Temos que pensar em melhores formas de controle das nossas instituições, para não permitir a supremacia de apenas um tipo de conduta, discurso ou partido político. Ao fazermos isso, estaremos fortalecendo a diversidade dos nossos valores e espírito crítico, para termos condições de lutar por um país melhor. É neste contexto, aqui delineado, que diversidade, esperança e oportunidade se misturam e se sobrepõem.

João Araújo
artigo publicado no Diário de Pernambuco
Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Décima Esdrúxula

Décima Esdrúxula
João Araújo

put your headphone and enjoy the music
(coloque o seu fone de ouvido e curta a música)




I
Nem sempre o chão se simplifica oxítono…
A vida é feita de milhões de máculas,
Bizarras pontes, espreitantes dráculas,
Que nos circundam a cantar em trítonos
No timbre estranho de um algoz barítono…
Há inimigos a emergir dos ângulos
E é difícil de encontrar retângulos
Que nos ajudem a limar as pápulas…
Infelizmente, em toda esquina há crápulas
A nos cortar com abissais triângulos…

II 
Bizarra vida corre tão frenética
Com seus canhões armados em girândolas,
Que nós, bonecos, damos de farândolas,
Buscando algum espaço para a ética…
Preciso é manter a fé atlética,
Não basta só querer o que é mais lógico,
A vida é mais do que o nó biológico
E deve estar a mente alerta ao gênero,
Além dos modos mil do mundo vênero,
Também do que transcende ao dialógico…

III
Nas instituições, ações pestíferas
De gente que desusa o poder público,
Há muito não se vê senso repúblico,
Há muito impera um som de voz sonífera…
Na trágica essência venenífera,
Vilões contabilizam os seus tráficos,
Acumulam valores, fazem gráficos,
Acordos indecentes e lucífugos,
É preciso inventar um bom vermífugo
E salvar os propósitos seráficos… 

IV
Altos bandidos deitam olhos cúpidos
Na confiança dada pelas vítimas,
Roubam cofres, baús, contas, legítimas,
E deixam quase todos obstúpidos …
Suas operações, atos estúpidos,
Começam no eleitor, em gesto clássico,
Ao repetir seu erro mais jurássico
De votar novamente em homens cínicos,
Sem cuidados de olhar com olhos clínicos,
Sem cautela ao pisar num vão talássico…

V
Por trás de todo esse ataque e pânico,
Imenso plano estruturado e tácito,
Contra o qual não se escrevem plácitos
E donde erguem-se portões titânicos…
Tão facilmente, o nosso porte anânico
É dominado por seus mil tentáculos
São oceânicos os seus mendáculos,
Intransponíveis atitudes cálidas
Que vão tornando a esperança inválida
Em aguardar pelos sinais do oráculo…

VI
A ficar tanto mais inerme e afônico
É o crime irônico e dramático,
Projetado nos lucros esquemáticos,
De deixar todo o ar sujo e agônico
Poluído com muito gás carbônico…
Nos delitos cruéis do atmosférico,
Nossa mãe natureza, em tom colérico,
Modifica o seu ritmo silábico:
Os termômetros ficam todos rábicos,
E, nas matas, os gritos são histéricos…

VII
A Terra em súplica, ardente e tétrica 
Com todas essas ações energúmenas,
Quer preservar sua grandeza ecúmena,
Recuperar o equilíbrio, a métrica
E abrandar tal maldade elétrica…
Na vastidão das intenções estrambólicas 
Desmatações e queimadas diabólicas,
Fábricas matam os campos mais plácidos,
A bomba atômica, os químicos ácidos
Já deixam marcas de dores simbólicas…

VIII
E ao migrarmos do múltiplo caótico
Para o plano privado hipercrítico,
O espírito pobre e detrítico
Exaspera em defeitos assintóticos…
Contra o falso, não há antibióticos,
Contra a inveja, atitudes mais pirrônicas,
Numa árdua batalha antagônica,
Pois o mal, noite e dia, gera lândoas,
Que, atônitos, vamos expurgando-as
Ao sonharmos com horas mais harmônicas…

IX
Ainda há gente que achamos fantástica
Mas não é raro, que as passoas neuróticas
Passam nas ruas velozes, robóticas,
Com atenções fadigadas e plásticas…
Há relações que são só escolásticas,
Sem verdadeiro valor altruístico
Há inflações de interesses balísticos
Concretizando as razões mais ególatras
E ao dom civístico faltam idólatras
Com o positivo condão do humanístico

X
Infernal correria catalética,
Catastróficos tempos bisesdrúxulos…
Essas décimas são reféns do esdrúxulo,
E ao crepúsculo em formas apopléticas
Exorcisa com a força da fonética…
Que a deífica aurora sistemática
Deixe a hipócrita voz mais diplomática,
Seja próspero o mundo, mais poético,
Tenha mais condoimentos energéticos,
Vença o mal e as tristezas emblemáticas!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

"Os Destinos de Sofia" de João Araújo

  • O Premio Agostinho de Cultura 
“Os Destinos de Sofia”, de João Araújo, foi o texto vencedor do III Concurso Nacional de Contos Agostinho de Cultura, que decorre anualmente, promovido pela Editora Adonis com o objetivo de fomentar a produção literária e aproximar escritores e mercado editorial por meio da publicação de textos originais.



  • A Edição da Obra 

Após a fase de seleção e julgamento dos finalistas, o autor foi premiado com a Edição da Obra. Para tal, o texto passou por todo um meticuloso processo de concepção gráfica, ilustração, diagramação, formatação, impressão e plano de divulgação, conduzidos pela equipe da Editora Adonis. O resultado final é um livro de alta qualidade Editorial, com ilustrações de Paulo Masserani e que pode satisfazer diversificados gostos de leitura, entre adultos e crianças.


ISBN: 978-85-7913-155-4
Ano: 2013
Edição:
Número de páginas: 28
Acabamento: Lombada canoa
Formato: 15,5x22,5 cm
Ilustração: Paulo Masserani
Classificação: Leitor infantojuvenil

Link para a Editora: maiores detalhes


  • O Lançamento 

No dia 20 de Outubro de 2013, o livro “Os Destinos de Sofia” foi lançado para o público de uma forma inusitada. De um lado, na Cidade de Americana, São Paulo, estavam toda a equipe da Editora Adonis e o público presente. Do outro lado, na Cidade de Kassel, Alemanha, estavam o autor João Araújo e a sua esposa Carolina Araújo, onde moram atualmente. A solução para encurtar essa enorme distância continental foi dada pela tecnologia. Assim, “Os Destinos de Sofia” foi lançado através de Video Conferência, unindo uma diferença de fuso horário de aproximadamente 4 horas. O evento, realizado no espaço cultural do Zoo de Americana, contou com a participação ativa de crianças e adultos, colocando sempre perguntas interessantes ao autor, além dos dois personagens inusitados que simbolizam a marca alegre e descontraída da Editora Adonis: Adoninha e Sherlock Holmes.




Fotos de Maine Bochicchio
  • “Os Destinos de Sofia” e a noção de Multiplicidade
Segundo o escritor e crítico literário Italo Calvino, o termo “multiplicidade” seria um dos elementos imprescindíveis para a sobrevivência e o desenvolvimento da Literatura no 3º milênio (Calvino, 1998). Tal ideia de base concentra em si um enorme poder de realização e potencial abarcador da complexidade do cosmos. Hoje em dia, presenciamos tal complexidade através dos meios de comunicação como a Televisão, os Jornais e a Internet que pôem em vitrine a enorme disparidade entre as sociedades, a rica diversidade da natureza, incluindo as suas catástrofes e fenômenos naturais, as desigualdades econômicas, a convivência entre os saberes distintos, entre os quais, as diferentes teorias científicas, pensamentos filosóficos, povos, religiões, línguas, culturas, etc.

Há, nesse intrincado novelo da vida, uma tensão entre o caos e a harmonia. A Literatura, como espelho do mundo, pode tentar expressar esta coexistência caótica e harmoniosa do cosmos através do trabalho estético com a linguagem: “o grande desafio para a literatura é o de saber tecer conjuntamente os diferentes saberes e os diferentes códigos numa visão plural e multifacetada do mundo” (Calvino, 1998). 

Seguindo essa linha de pensamento, “Os Destinos de Sofia” associa-se, à sua maneira é claro, à noção de “Multiplicidade”. A realização desta noção, na Literatura, pode trazer em si uma chave para dialogar com o mundo atual. Além disso, entendemos que a atualidade impele-nos a uma atmosfera tensa, a um sentimento gerado por um mundo repleto de uma multiplicidade vertiginosa, de uma inflação de imagens, onde objetos e pensamentos são postos às nossas vistas e, todavia, um sentimento sobre o “absoluto” parece estar ausente. O atual estado do mundo pode ser uma das razões pela qual o sujeito entra em crise, no movimento de busca da sua identidade em meio ao caos; pode ser uma das razões da perda da identidade, do apagamento do indivíduo, levando a contradições e pode dar a ver contrastes entre pensamentos diversos. Uma realização literária que segue a grande ondulação da “Multiplicidade” pode, enfim, ser um projeto ficcional de expressão da complexidade, do caos e das múltiplas formas não-lineares vigentes. Por traz disso tudo a fundação que sustenta o tecido literário, esforça-se por manter a coerência global: “tentar e saber reconhecer, no meio do inferno, quem e o que não é inferno, e fazê-lo viver, e dar-lhe lugar” (Calvino, 2002: 165-166).


CITAÇÕES:

CALVINO, I. (1998) [1988]. Seis propostas para o próximo milénio. Tradução: José C. Barreiros. 3ª edição, Editorial Teorema. Lisboa.
CALVINO, I. (2002) [1972]. As cidades invisíveis. Tradução: José C. Barreiros. 5ª edição, Editorial Teorema. Lisboa.

domingo, 22 de julho de 2012

MEMÓRIAS DA IMPRENSA (video)



Assista a apresentação da música MEMÓRIAS DA IMPRENSA, composição de João Araújo e interpretação de Emerson Sarmento e Banda durante o Festival de Inverno de Garanhuns, Julho de 2012. Ver na página VIDEOS.

Concepção da Música: o formato da letra de “Memórias da Imprensa” foi baseado no conceito de texto fragmentado. Ao abrirmos um jornal, deparamo-nos com uma mescla de notícias negativas e banalidades. Dentre as temáticas exploradas, estão a corrupção, o carnaval, a cultura de massa, etc. Entretanto, dessa aparente fragmentação jornalística, persiste o relato recorrente da morte de mais um trabalhador brasileiro, fruto da violência que circunda as nossas cidades. No fundo, esta é a notícia mais importante do Semanário e que luta para se sobressair diante de todas as outras notícias. Uma tensão é gerada e a ideia de fragmentação textual cria um tecido coerente que muitas vezes toca o domínio da ironia para denunciar o descaso e o caos que imperam na sociedade dos tempos atuais. (CONFIRA A LETRA NA PÁGINA VIDEOS)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Um Bloco em Poesia

Confira o Blog oficial da Trupe Lírico Musical 
Um Bloco em Poesia


A Trupe Lírico Musical Um Bloco em Poesia é um grupo que promove as raízes culturais de Pernambuco. De entre as suas principais linhas de ação estão a produção de CDs, a edição de Jornais Informativos, Livros e Artigos, a homenagem a personalidades do meio cultural e a promoção de eventos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Prêmio Jabuti 2011 - Melhor Livro de Ciências Exatas

Prêmio Jabuti 2011
Categoria: Melhor Livro de Ciências Exatas


Sumário do Livro Premiado:

Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais
Organizadores: Olival Freire Jr., Osvaldo Pessoa Jr., Joan Lisa Bromberg
Editora da UEPB, Campina Grande e Livraria da Física, São Paulo



Parte I - História: da teoria quântica – Desenvolvimentos e fundamentos

1 ‐ Joan Bromberg – Problemas de Pesquisa na História da Mecânica Quântica
2 ‐ Olival Freire Jr. – Dissidentes quânticos: a pesquisa sobre fundamentos da teoria quântica em 1970.
3 ‐ Fabio Freitas ‐ A descoerência emerge: os múltiplos caminhos de um novo fenômeno físico.
4 ‐ Paulo Vicente Moreira dos Santos ‐ O itinerário científico de Louis de Broglie em busca de uma interpretação causal para a mecânica ondulatória
5 ‐ Wilson Fábio de Oliveira Bispo e Denis Gilbert Francis David ‐ Sobre a cultura material dos primeiros testes experimentais do teorema de Bell: uma análise das técnicas e dos instrumentos (1972‐76)
6 ‐ Christian Joas ‐ Campos que interagem: Física Quântica e a transferência de conceitos entre física de partículas, nuclear e do estado sólido.

Parte II - Implicações Filosóficas da teoria quântica

7 ‐ Michel Paty – “Construção de objeto” e objetividade em física quântica
8 ‐ Christoph Lehner – O realismo de Einstein e sua crítica da mecânica quântica
9 ‐ Stefano Osnaghi – Bohr e o problema da medição: uma solução dualista?
10 ‐ Frederik M. Santos – Algumas singularidades do pensamento de Eugene P. Wigner
11 ‐ Jhonny Castrillon Perez – Fundamentações e perspectivas para a teoria quântica

Parte III - Implicações culturais e educacionais da teoria quântica

12 ‐ Osvaldo Pessoa Jr. ‐ O Fenômeno Cultural do Misticismo Quântico.
13 ‐ Frederico Cruz – Mecânica quântica e a cultura em dois momentos
14 ‐ Alessandro Frederico da Silveira, Aurino Ribeiro Filho e Ana Paula Bispo da Silva ‐ Os Princípios de Complementaridade e de Incerteza na obra Copenhague de Michael Frayn: a arte e a teoria quântica
15 ‐ Jose Luis de Paula Barros Silva e Nidia Franca Roque ‐ Teoria da ressonância: história e ensino.
16 ‐ Ileana Greca e Olival Freire Jr. – Ênfase conceitual e interpretações no ensino da Mecânica Quântica.

Parte IV - Construção da teoria quântica: história e tendências de pesquisa

17 ‐ Silvio Dahmen ‐ Max Planck e a Física de Sistemas Estocásticos
18 ‐ Roberto de Andrade Martins ‐ De Louis de Broglie a Schrödinger: uma comparação.
19 ‐ Indianara Silva, Olival Freire e Ana Paula Bispo da Silva ‐ A imagem pública de Arthur Holly Compton: um físico quântico ou clássico?
20 ‐ Aurino Ribeiro Filho – Mecânica Quântica e Não Linearidade – possibilidades e dificuldades.
21 ‐ Araújo, J.; Cordovil, J.; Croca, J. R.; Moreira, R. N.; e Rica da Silva, A. ‐ Ontologia de Fourier, Análise Local por Onduletas e Física Quântica.

Sobre o Prêmio Jabuti:

O Jabuti – Apresentação
Criado em 1958, o Jabuti é o mais tradicional prêmio do livro no Brasil. O maior diferencial em relação a outros prêmios de literatura é a sua abrangência: o Jabuti não valoriza apenas os escritores, mas destaca a qualidade do trabalho de todas as áreas envolvidas na criação e produção de um livro. As 21 categorias do Jabuti 2010 contemplam não só estilos – Romance, Contos e Crônicas, Poesia, Reportagem, Biografia e Livro Infantil – mas também a Tradução, a Ilustração, a Capa e o Projeto Gráfico.
Anualmente, editoras dos mais diversos segmentos e escritores independentes de todo o Brasil inscrevem milhares de obras em busca da tão cobiçada estatueta e do reconhecimento que ela proporciona. Receber o Jabuti é um desejo acalentado por todos aqueles que têm o livro como seu ideal de vida. É uma distinção que dá ao seu ganhador muito mais do que uma recompensa financeira. Ganhar o Jabuti representa dar à obra vencedora o lastro da comunidade intelectual brasileira, significa ser admitido em uma seleção de notáveis da literatura nacional.

Seleção e premiação
Um corpo de jurados altamente especializado, composto por profissionais com ampla bagagem em suas respectivas áreas de atuação, faz a análise das obras. A contagem dos votos é feita em sessões abertas ao público e dividida em duas etapas. Na primeira sessão pública, são selecionadas as 10 melhores obras em cada umas das 21 categorias. A segunda sessão define os três primeiros lugares de cada categoria, sendo que o primeiro colocado recebe R$ 3 mil e uma estatueta, a qual também é concedida aos segundo e terceiro lugares. O primeiro lugar da categoria especial Tradução de Obra Literária Espanhol-Português recebe R$ 3 mil.
Na cerimônia de premiação e entrega das estatuetas, são revelados os Livros do Ano de Ficção e Não-Ficção, momento mais aguardado por todos aqueles que concorrem ao Prêmio, pelo mercado editorial e pela mídia especializada. Os livros são escolhidos pelo voto dos jurados e de profissionais do mercado editorial. Os dois vencedores recebem R$ 30 mil cada um, além da estatueta.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

CABOCLO D'ÁGUA

Assista ao Clip da música Caboclo D'Água de autoria de João Araújo e Luciano Magno, com a interpretação de Benil e acompanhamento da Orquestra do Maestro Spok. Trata-se do gênero musical "Caboclinho", que recebeu um arranjo musical de Dadá Malheiros. O video é uma apresentação realizada no Teatro de Santa Isabel durante o Festival de Música Carnavalesca do Recife.




CABOCLO D'ÁGUA (Caboclinho)
João Araújo e Luciano Magno


Azuis colares do coração da mata,
Pai venoso cor de prata,
Leito de tanto pra dar,
Luta caboclo no triste desafio
Arco e flecha de um rio
Força aberta de um mar...


Meu ribeirinho, riacho, caboclo d'água
Ao chover todas as mágoas
Do céu, meu Deus dará
Mais coração ao homem tão sozinho
Contamina o ribeirinho 
Que sufoca ao respirar


Seguir o exemplo da tribo dos bravios
Que respeita o Mar, o Rio,
O Sol e o Luar
É o melhor cortejo de ajuda
Pra vencer essa caluda
Vontade de chorar


Piaba, olha Tupã,
Aramaçá, kurimã
Garoupa, ytu, piabuçu, kamuri
Pirá-bebé, acará
Piranha, corumbatá,
Meu pyatã, aguenta kamurupy


Azuis colares do coração da mata,
Pai venoso cor de prata,
Leito de tanto pra dar,
Luta caboclo no triste desafio
Arco e flecha de um rio
Força aberta de um mar...


Homem que é homem devia ter na alma
Um curumim que não se acalma
Enquanto não salvar
A infinita luz multiplicada
Dessa natureza amada
Com riqueza de jorrar

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Festival de Música Carnavalesca do Recife



Festival de Música Carnavalesca
do Recife 2011


Luciano Magno e João Araújo foram uma das duplas vencedoras do Festival de Música Carnavalesca do Recife 2011, na categoria Caboclinho, com a composição intitulada Caboclo D’Água. A música foi interpretada por Benil e teve arranjo musical de Dadá Malheiros.





A Gravadora Biscoito Fino gravou a música num Álbum especial e realizará a distribuição.



Veja o link da gravadora para o CD.

sábado, 4 de dezembro de 2010

As Cidades, os Castelos e a Onda

Publicação:

As Cidades, os Castelos e a Onda
imagens, diagramas e metáforas entre Calvino, Escher e Bohr


Ficha técnica:

Título: As cidades, os castelos e a onda. Imagens, diagramas e metáforas entre Calvino, Escher e Bohr
Autoria: João Araújo
Coleção: A Imagem na Ciência e na Arte
Cidade/Ano: Lisboa/2010
Edição: CFCUL/FdS
Número de páginas: 151
ISBN: 978-97-27542-74-1


Ciência e Arte são duas actividades monumentais da cultura através das quais o ser humano exercita a sua capacidade de compreensão e explicação do mundo. Apesar de distintas, será possível pensar um cruzamento entre os métodos utilizados por cada uma dessas actividades? Será possível importar um objecto da Matemática como ferramenta auxiliar na análise de uma obra literária? Será coerente fazer uso de uma narrativa para melhor se perceber a noção de “pacote de ondas de Fourier” utilizada pela Teoria Quântica Ortodoxa? Neste volume, apresentamos quatro ensaios que se atrevem a esse cruzamento e se apresentam como uma compreensão alternativa de objectos provenientes de áreas aparentemente tão distintas como a Literatura, a Física, as Artes Visuais e a Matemática.

Outros Contatos

Veja Links para matérias de João Araújo:

- Um itinerário crítico para o imaginário de Mafalda Veiga:
Decomposição de um cancioneiro através da imaginação da matéria
in Germina - Revista de Literatura e Arte. (link para o artigo)