…nesse imenso caminho irregular, há atalhos quase desertificados… vias fraturadas… sendas decaídas, onde sobressaltam os desejos não concretizados… do vazio que preenche os becos abandonados, resta apenas a consciência de se saber caminho… por vezes, as entradas conduzem a um conto falhado, um poema frustrado… talvez, um diário de bordo, mal feito e descuidado… quiçá, a esboço longínquo de um romance fragmentado… fragatas à deriva… ciganos quase-imóveis e, ainda assim, necessários…
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sábado, 11 de dezembro de 2021
Apenas 3 Dias de Lançamento - CARNAVAL DE PERNAMBUCO
Nada mal... para quem tem apenas 3 dias de lançamento, as audições do Álbum "Carnaval de Pernambuco" já ultrapassaram a barreira dos 2.000! Obrigado a todos que estão curtindo o nosso trabalho 👍👍🎼🎼🎼 Faça a sua audição e siga o nosso perfil escolhendo pelo link AQUI
Just 3 Days of Release - CARNAVAL DE PERNAMBUCO
Not bad... with only 3 days of release, the Streams of the Album “Carnaval de Pernambuco” have already surpassed the 2,000 barrier! Thanks to everyone who is enjoying our work 👍👍🎼🎼🎼 Make your audition and follow our profile accessing the link HERE
domingo, 5 de dezembro de 2021
sexta-feira, 15 de maio de 2020
O Canto das Três Raças: prolongamentos agremiativos em Pernambuco por João Araújo
O Canto das Três Raças:
prolongamentos agremiativos em Pernambuco
por João Araújo
(artigo publicado originalmente no Site BRmais: AQUI)
A convergência da diversidade étnica na formação cultural de uma nação é um presente concedido pelo passar do tempo. Se afirmo hoje que uma sociedade possui o privilégio por ter sido formada pela mistura diversificada de vários povos, não posso esquecer que tal processo certamente foi doloroso num tempo quando práticas como a escravidão, por exemplo, participavam da rotina dos cidadãos. Esse fato tenebroso da nossa história é inegável e deixou sequelas profundas. Quero focar, entretanto, as atenções no lado positivo, isto é, nas heranças culturais que tais etnias deixaram para as gerações futuras.
Cuidar bem das boas memórias e sementes culturais, semeá-las com carinho e fazê-las brotar os bons frutos que cada raça transportou no corpo e na alma durante os séculos é atuar na rica fertilização da sociedade; é uma missão de amor. No caso do Brasil, assim espero que sempre o seja. Nosso país deve se orgulhar da beleza e confluência das suas ricas origens. Em muitas regiões, mantém-se continuamente o germinar e o brotar dos traços culturais ancestrais. Das figuras do indígena, do africano e do europeu saltaram e saltam particularidades diversas que habitam os nossos dias, muitas vezes e infelizmente, sem a atenção merecida. Irei lançar essa reflexão sobre o nordeste brasileiro.
Considero especialmente o estado que já foi um dia conhecido como o Leão do Norte. Lá em Pernambuco, as três raças também encontraram prolongamentos peculiares na coletividade de diversos grêmios carnavalescos como forma de expressão cultural. Hoje, porém, apesar de um tipo de agremiação fazer referência cultural a uma determinada linhagem, as suas alas são compostas por “desfilantes” de múltiplas origens étnicas, dando, assim, o colorido humano característico do carnaval, como sempre deve ser. Apesar de o catálogo de agremiações carnavalescas ser muito mais vasto, limitar-me-ei aqui a destacar apenas três exemplos delas, fazendo, assim, uma ligação com cada um dos grupos étnicos acima citados.
O Indígena
O meu ponto de partida é, portanto, o caso da cultura indígena. Esta ganhou um prolongamento coletivo no Folclore pernambucano através de agremiações chamadas Caboclinhos ou Cabocolinhos. Aí, homens e mulheres trajam fantasias compostas por saias, cocares, tornozeleiras, colares, pulseiras, braceletes e cintos com chocalhos presos, todos manufaturados com ricas e coloridas penas. O repertório que se toca em tais grupos se inspira em sonoridades florestais primitivas. A base rítmica utilizada é composta por toques percussivos de tambores e preacas, estes últimos sendo instrumentos de percussão em forma de arco e flecha que emitem estalos secos de madeira. Também se utilizam flautins de taquara, costurando melodias agudas e alegres em cadências distintas, das quais se destacam o canto guerreiro e o perré.
No carnaval, muitos desses grupos desfilam pelas ruas do Recife presenteando os olhares atentos da multidão com um espetáculo de exuberância e lépida alegria. Assim, a cultura indígena encontrou uma forma alternativa e diferente de se estender e de expressar os seus costumes, crenças e lendas, que, aliás, não são poucas. Entre os vários mitos, destacam-se a lenda do Boto cor-de-rosa (o galanteador), do Curupira e da Caipora (dois dos guardiões das florestas), do Boitatá (a serpente de fogo), a lenda da Mandioca e a lenda da Iara (a mãe d'água).
Em geral, uma mitologia vai sendo passada de boca em boca através das gerações, como uma espécie de bastão da tradição, e, nesta corrida de transmissão oral, as histórias vão sofrendo alterações e variações ao longo dos anos. No caso da lenda da Iara (formada pela composição das palavras y, água, e ara, senhora), por exemplo, diz-se que, numa de suas primeiras versões, referia-se a um homem-peixe que atacava pescadores e os levava para o fundo dos rios. Só a partir do século XVIII, uma versão feminina da mulher encantada e sedutora passou a vigorar no imaginário popular, que, por sua vez, também já encontra influências trazidas do universo mitológico das sereias.
Controvérsias à parte, o que quero destacar aqui é a manifestação agremiativa e o estilo musical de base indígena, os Caboclinhos, que se fizeram impor no ambiente carnavalesco e carregam em si a expressão maior da cultura desta etnia em seus desfiles pelas ruas da cidade.
Carijós, Canindés, Taperaguases,
Caboclo Tupy, Tapirapés,
Caboclinhos Tabajaras,
É ela a mulher, Senhora das Águas,
É ela a mulher, Ôô ô Iara...
Vem lá do Norte
O negro dos olhos
Cabelos e lábios de mulher
Deusa tão forte
Nas águas escuras
Caboclo se entrega aos seus pés
É guardiã
Dos rios, da mata,
Se enfeita com a flor do mururé
Ela é irmã
Do fogo que arde
No sangue da presa que lhe quer
Sirena chamou
Marujo sumiu
Sereia cantou
Iara levou
O tapuio pro rio
O canto que essa mulher detém
Toda floresta não será capaz
De suportar, de tanta magia,
Aracuã vadia, já não canta mais
Quando ela sai, leva mil reféns
No igarapé, sobressalta a paz,
Céu escurece e o vento esfria
Jassanã se avia, capiuara atrás
Iara é lenda que do povo vem
Mora na fé de todo rapaz
De se perder nessa febre estranha
Da pele castanha que a morena traz
Letra do Caboclinho “Senhora das Águas”
O Africano
Agora, considero o segundo caso a que me proponho neste artigo. Em Pernambuco, no que diz respeito aos prolongamentos carnavalescos do africano, há um gênero agremiativo, entre outros, que traduz essa cultura através do poder estrondoso e arrepiante dos tambores: o Maracatu Nação, também conhecido como Maracatu de Baque Virado. Cultura secular, em seus cortejos pelas ruas, o Maracatu representa o universo da nobreza africana de tempos remotos, como os reinados do Congo. O grupo é diferenciado em alas que refletem as cortes imperiais da África do passado. Exemplos desses integrantes legítimos são o rei, a rainha, os ministros e embaixadores, as damas da corte e o porta-estandarte. Há também as damas do paço, que carregam nos braços e exibem ao público as calungas, bonecas negras enfeitadas, simbolizando os orixás, tais como Xangô ou Oxum. Em Pernambuco, há muitos Maracatus em atividade, a citar alguns deles: Nação Leão Coroado, Nação Porto Rico, Nação Estrela Brilhante de Igarassú, Nação Estrela Brilhante de Recife e Nação de Maracatu Cambinda Estrela. Um dos mais antigos foi o Maracatu Elefante, fundado em 1800, e que teve a famosa Dona Santa como sua rainha.
Os Maracatus são um espetáculo rico e instigante, muito disso se devendo à força rítmica e imponente da ala dos batuqueiros. Suas viradas e levadas são proporcionadas principalmente pelas alfaias, grandes tambores adornados e coloridos confeccionados artesanalmente. Às alfaias, juntam-se, ainda, outros instrumentos percussivos, como os xequerês, os gonguês, as maracás e as caixas. A polirritmia se inicia, muitas vezes, após o Mestre puxar uma loa, que é a parte de um verso musical cantado sem acompanhamento instrumental.
Por volta de 1960, em Recife, houve um movimento para dar mais espaço à expressão africana e se criou a chamada Noite dos Tambores Silenciosos, que, desde então, decorre durante a segunda-feira de carnaval no Pátio do Terço, no Bairro de São José. Nesta cerimônia de sincretismo religioso, os Maracatus se reúnem e realizam apresentações coletivas até que, em determinado momento, os tambores silenciam, as luzes do pátio são apagadas e todos juntos realizam uma oração em iorubá.
Segunda-feira vai arder lá no Pátio do Terço
Oração de tambor
Segunda-feira vai surgir do metal no gonguê
Som estalado de amor
Segunda-feira vai tremer na virada da caixa
A loa que o Mestre puxou
Segunda-feira vai bulir cabaceiro amargoso
Na mão que Calunga jogou
Calunga, saculeja esse xequerê
Que a pele da morena, assim, suará
Não esqueça: Calunga bom tem que remexer
Sem perder a toada que libertará
Letra do Maracatu “Xequerê de Calunga”
O Europeu
Para finalizar esse breve passeio pelos prolongamentos étnico-culturais no carnaval pernambucano, retornemos ao fim do século XIX e consideremos predominantemente os desdobramentos da influência europeia lusófona no nordeste brasileiro. Naquela época, nos bairros do Recife, havia diversos grupos de músicos seresteiros que se reuniam constantemente para realizar os seus saraus, serenatas e recitais em família. Por outro lado, da tradição religiosa portuguesa, a sociedade já estava acostumada às práticas das procissões e do pastoril, um folguedo europeu relacionado ao Presépio e que se compõe por meio de danças e músicas, sejam elas religiosas ou profanas. Da confluência desses movimentos, por volta de 1920, nasceram os Blocos Carnavalescos. Mas, atenção! Entenda-se aqui que tais agremiações não têm nada de parecido com os blocos ou, muito menos, com os trio-elétricos como os entendemos hoje. A música dessas agremiações era proporcionada por uma orquestra de pau-e-corda formada por violões, bandolins, violinos, flautas, clarinetes de ébano, surdos e pandeiros, entre outros instrumentos. Além disso, um coral feminino ficava responsável por propagar os textos dos frevos-de-bloco, embebidos de muito lirismo romântico e saudosista.
Os Blocos Carnavalescos também viriam trazer um marco social significativo para a comunidade, pois permitiram a inclusão feminina e sua presença mais segura na participação do carnaval de rua. Naquela época, o carnaval fora dos clubes carregava muitos traços de violência devido ao desconfortável jogo hostil dos mela-melas, das contendas constantes e das desavenças, heranças essas ainda do truculento entrudo português. As ruas não eram nada convidativas para as esposas, irmãs, primas e filhas dos seresteiros. Sendo assim, a solução da vez trazida pelos Blocos Carnavalescos foi o uso do famoso cordão protetor, que era carregado pelos homens, salvaguardando as suas queridas companheiras da agressividade exterior.
O movimento dos Blocos Carnavalescos Líricos, como são denominados hoje, teve muitos altos e baixos ao longo dos anos. Entretanto, o estado atual, após a virada do milênio, é de grande esplendor. Hoje, há mais de cinquenta agremiações desse tipo fundadas em diversos bairros da capital pernambucana e cidades adjacentes. Cada qual é formada por uma quantidade média de setenta ou oitenta componentes. Desfilam pelas ruas do Recife, promovendo um espetáculo visual e sonoro de lirismo sem igual. A grande apoteose é um evento chamado de Encontro dos Blocos Líricos e ocorre no Marco Zero do Recife, na segunda-feira de carnaval. Vale aqui citar os nomes de algumas dessas agremiações: Um Bloco em Poesia, Eu Quero Mais, Flor Camará, Amantes das Flores de Camaragibe, Flor do Eucalipto de Moreno, Cordas e Retalhos, O Bonde, Artesãos de Pernambuco, Flor da Lira de Olinda, Banhistas do Pina e Bloco das Ilusões, entre tantos outros.
Neons, banhando o espelho desse rio marrom
De saia longa em vibrações crepom
Trocai a vossa fria luz neon
Pelo calor dos nossos corações
Soltai a branca voz das procissões
Tocai a rubra corda dos violões
Vesti a manta azul das tradições
E a verde-glória luz da multidão
A gloriosa luz da multidão
A gloriosa luz da multidão
A gloriosa luz da multidão
Letra do Frevo-de-Bloco “A Luz dos Blocos”
A Mistura
Essa é uma pequena parcela das nuances do carnaval de Pernambuco. Nesse estado, muito do carnaval é feito pela sua própria gente, um povo lutador de singular irreverência, criatividade ímpar e humor aguçado, que muitas vezes trabalha o ano inteiro para poder colocar a sua agremiação nas ruas. Os milhares de turistas espectadores que lá vão têm, portanto, a possibilidade de assistir a uma autêntica expressão popular, uma espécie de teatro ao ar livre, onde a sua gente faz das ruas e avenidas o seu palco para encenar e expressar a riqueza das suas heranças étnico-culturais.
Em cada um dos movimentos populares pernambucanos aqui citados, isto é, o Caboclinho, o Maracatu e o Bloco Carnavalesco Lírico, a mistura prevaleceu. Com esta breve exposição, não pretendi dar o monopólio ou o domínio do indígena, do africano ou do europeu sobre cada um dos seus respectivos movimentos agremiativos, muito menos desconsiderar o influxo de uma cultura sobre a outra. Pretendi, entretanto, destacar que em cada uma dessas manifestações coletivas carnavalescas houve, em sua origem, uma predominância e influência étnica clara que vive a brilhar hoje durante, por exemplo, os festejos de Momo. As agremiações são, assim, expressões legítimas e prolongamentos culturais dos seus indivíduos, que se realimentam dinamicamente com o passar do tempo e pulsam o colorido múltiplo do imenso mosaico social. Tudo isso vai sendo transmitido de geração para geração. Trata-se de uma gostosa e divertida lição de história e de amor pelas raízes da nossa gente.
Artigo publicado originalmente no Site BRmais: AQUI
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sábado, 25 de junho de 2016
Um Bloco em Poesia - Part 1
In Brazil I have helped to establish a cultural and musical group called Um Bloco em Poesia. We have organized several shows and events. The group has a band with 22 musicians, a choir with 10 singers and a group of 50 people with carnival costumes. In our presentations in clubs we have organized musical performances and recitals of poetry. In addition, we have made parades through the streets playing music for the people. Below I show some photos that record a few moments of the group Um Bloco em Poesia.
sábado, 11 de junho de 2016
A Liga dos Blocos
Frevo-de-bloco is a music style performed by orchestra with instruments from wood and strings (usually consisting of guitars, banjos, mandolins, violins, percussion instruments, for example). There are many groups that make parade through the streets and they are called "Blocos Carnavalescos Líricos". This cultural movement emerged in the first decades of the twentieth century.
In this context we have composed the song "A Liga dos Blocos" (by João Araújo and Luciano Magno). The song was recorded with the voice of the singer André Rio. This song is a tribute to these groups, to this musical culture and to all persons that work to the maintenance of this Brazilian culture.
A Liga dos Blocos
** enjoy and share it! **
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
A Liga dos Blocos
Clique para escutar a música:
A Liga dos Blocos
Autoria: João Araújo e Luciano Magno
Interpretação: André Rio
Interpretação: André Rio
Um Bloco com a força de um vermelho em flor,
Com a áurea cor de clara evidência amor
E não de um ouro vago esbanjo de esplendor,
Mas sim branco que veste o azul melhor do céu…
Um branco, irmão celeste, feito em doce mel
De luas tão aflitas por poetas vãos,
Vestindo cor-de-praça, esverdeado véu,
Em seu multiplicado estado imensidão…
Um Bloco como um Sol, poder de cantador,
Do negro, a densa idéia, misteriosa flor,
Do peito, a transparência do amigo leal,
De rara realeza, ardendo o Carnaval…
Um Bloco qual neblina, mãos de trovador,
Que espalha um canto exato, solta abraço e voz,
Enfeitiçando o ontem com a cor do amanhã,
Reiventando as puras cores de todos nós…
Vem senhorinha, vem minha paixão,
Vem meu amigo, vem fechar cordões,
Vamos seguindo a amiga evolução
E o amor que Liga os nossos corações
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Carta para Aldemar Paiva
Carta para Aldemar Paiva
No palco da vida, foste um presente alagoano lindo para Pernambuco. Mas Pernambuco, às vezes, se esquece das dádivas que já recebeu. Por isso, cabe-nos a rotina da boa recordação. "Um sorriso, um abraço e uma flor: tudo isso é você na imaginação". E não foste apenas uma flor: foste um Jardim de Flores Raras. Com humor, fizeste poemas. Com poesia, contaste causos. Com jornalismo, escreveste canções. Sem nunca esquecer a tua cidade natal, insististe em nos dizer que Pernambuco é terra boa, o quão rica e bela é a nossa natureza, variada é a nossa cultura e importante é o nosso folclore.
Na Rádio, conduziste gostosas conversas espontâneas, feito um amigo íntimo da gente. Na prosa, foste um mestre. Nos causos, foste tanto arlequim, quanto pierrô. Na voz, foste elegância e firmeza. Para a nossa sorte, tu te fizeste o nosso poeta da saudade. Junto com Nelson Ferreira, José Menezes e outros, escreveste páginas notáveis no imenso livro do lirismo carnavalesco pernambucano. "Serpentina ou confete, carnaval de amor: tudo é você no coração". E sempre com carisma ímpar e sorriso farto, trilhaste brilhante trajetória artística nos festejos de Momo, nos estúdios das Rádios, nos palcos dos Teatros, nas páginas dos livros. Quanta risada gostosa arrancaste de nós, ao narrares tuas estórias engraçadas... Quantas lágrimas minaram dos nossos olhos, ao colocares pitadas de drama nas palavras... E no total domínio e genialidade desse teu ofício criativo, foste um grande espetáculo para o público. Aplausos mil para ti. Não houve sentimento imune às tuas palavras. E até os emblemas mundiais, como, por exemplo, o Papai Noel, rendeu-se e desmantelou-se diante do teu discurso simples e profundo de menino puro das Alagoas.
"Você existe como um anjo de bondade e me acompanha nesse frevo de saudade". Eu daria muito por mais um dedinho de prosa ao teu lado. Só iria escutar. O pouco de oportunidade que tive, valeu demais à pena. Mas agora, diante dessa distância indizível, cabe-nos sorrir com a lembrança da tua volumosa, alegre e sábia imagem, seguindo os preceitos que aprendemos contigo, afinal "quem tem saudade não está sozinho: tem o carinho da recordação. Por isso, quando estou mais isolado, estou bem acompanhado com você no coração".
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Dia do Frevo - Pura Viração
Dia do Frevo - Pura Viração
E para comemorar o Dia do Frevo, música nova saída do forno intitulada PURA VIRAÇÃO, feita em parceria com o compositor e músico Luciano Magno. Um frevo alto-astral, alegre, olhando para o futuro e com o pé sempre na MPB. Abaixo, você pode escutar a música na voz de Luciano Magno, numa gravação recente realizada para o CD Um Bloco em Poesia - 15 Anos e também conferir a letra. Curta, divulgue, compartilhe!
Pura Viração
João Araújo e Luciano Magno
Eu sou poeta,
Ela, escorpião,
Eu trabalho a beça
E ela, malhação,
Em dia de chuva
Prefiro me molhar
E ela se desculpa
Em noite de luar
A nossa história
Nunca vai se acabar
Ela apaga vela,
Eu rezo pra santa
Ela canta e é bela
Nunca entrei no tom
Se faz feriado
Ela quer viajar
Já eu acordo tarde
E digo que vou ficar
A nossa história
Nunca vai se acabar
Amor singular, estranha paixão
Um veio de Tróia, o outro da Grécia
Eu sou lá da praia, ela é do sertão
O nosso romance é pura viração
É pura viração,
Pura viração,
Pura viração, pura!
Mais pura viração,
Pura viração,
Pura vira viração!
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Amigo da Cultura 2015
Quero agradecer à homenagem que recebi na última sexta-feira 06 de Fevereiro de 2015, no 15° Baile Monumental realizado em Olinda, Pernambuco. O Troféu que me foi concedido chama-se Amigo da Cultura 2015 e na descrição do mesmo consta que o recebi pelos serviços prestados à Produção Cultural de Pernambuco como compositor, poeta e escritor.
Como eu não pude estar presente, o meu pai, que também se chama João Araújo, foi o meu representante e recebeu o Diploma das mãos do Sr. Seronildo Guerra. Fico muito feliz com esta homenagem e gostaria de registrar aqui a minha gratidão a todos os envolvidos neste evento.
| Seronildo Guerra e João Araújo |
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domingo, 8 de fevereiro de 2015
Dia do Frevo - Ruas, Blocos e Canções
Dia do Frevo - Ruas, Blocos e Canções
No dia 09 de Fevereiro, em Recife, também comemora-se o dia do Frevo. O Frevo transcende o status apenas de gênero musical da música popular brasileira (o que já seria o suficiente) composto pelas vertentes frevo-de-rua, frevo-canção e frevo-de-bloco. Hoje, o Frevo trata-se de uma manifestação cultural que envolve a dança, a música, as alegorias, o folclore, a integração e dinâmica entre diversos Blocos, Orquestras de Pau-e-Corda e Orquestra de Metais, grupos de seguidores e carnavalescos, além de movimentar todo um fluxo socioeconômico de grande importância para a região e história da nossa cultura. O Frevo, portanto, representa a alma de um povo, traduzindo a sua essência e raízes.
Em Dezembro de 2012, o Frevo recebeu o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A seguir, o poema Ruas, Blocos e Canções foi composto para homenagear o Centenário do Frevo, virando depois uma parceria musical entre João Araújo e Luciano Magno e sendo interpretada pelo cantor André Rio no CD 10 Anos de Poesia. Você também pode assistir ao Clip Musical desta composição:
RUAS, BLOCOS E CANÇÕES
João Araújo e Luciano Magno
Meu Frevo surgiu
Da espada e da flor...
O filho da raça de um povo,
Da gente,
da massa que sempre cantou...
Bebendo do Capibaribe,
Dos becos do velho Recife,
Do poema que o sangue é capaz,
Das pontes e bairros tradicionais...
O Frevo cresceu
Com a força e o calor
Do salto de um capoeira,
Beirando
o infinito que um dia tocou...
Do brilho dos seus arrecifes,
Do sonho que um poeta já disse,
Orquestra, maestro, metais,
Sombrinhas solares, flabelos da paz...
O Frevo expandiu
Pela Terra, o fulgor...
Na esfera azulada, os clarins
Tocaram o que o povo sempre desejou...
Pastora, passista, cordões,
Bem-vindos aos corações...
Solfejo na voz dos corais
Regendo o segredo de mil carnavais
Toca o Frevo...
Toca mais...
Blocos, Canções, Frevos-de-Rua...
Evoluções feito a Lua,
Quando beija o Sol no Mar...
http://www.jpoeta.blogspot.com/
http://www.umblocoempoesia.blogspot.com/
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
DÉCIMA DO FREVO
DÉCIMA DO FREVO
(João Araújo)
Assista ao Video do Youtube para este Poema
na voz de Renato Phaelante e música incidental de Luiz Guimarães
I
O Frevo é festa, é luz, a voz do povo,
No fogo, ardem pernas, mil sombrinhas,
Passista voa sem perder a linha
E é tão sublime o seu feroz corcovo
Que a gente anseia ele arder de novo…
Nos ares, rasgam corpos, qual cavalos
Que lutam contra a gana de domá-los
E mais parece a vida estar parada
Perante audaz destreza e fé passada
Por tal gingante mostra de regalo…
II
No início foi vilão, esse menino,
Seguia a contramão, o capoeira,
Quicés, rabos-de-arraia e peixeiras,
Um farto repertório libertino,
Que da contravenção fez mal ensino…
Depois dessa maléfica etapa,
O tempo arrefeceu a quente chapa,
Em vez de violência, viu-se arte,
O mapa transformou-se em grande parte
E hoje flui a dança sem zurrapa…
III
Brotaram girassóis nas avenidas,
Sacis, locomotivas e rojões,
Mil saltos atiçando as sensações,
Porvir da resistência renascida…
Na cor pernambucana esculpida,
O frevo, enfurecida dança rara,
Sentiu arder a chama que o brotara…
Tesouras laminosas, dobradiças,
Ao vê-las, qualquer alma se enfeitiça,
Qualquer atrevimento se escancara…
IV
A ordem é incentivar as mentes
Das multidões a se afoitar no passo,
Parece mais um furacão no espaço
Ou rebuliço de um vulcão fervente…
Das profundezas da heróica gente
Coreografias, mandigueiras febres,
Diverso espasmo, ansiosa lebre,
Leis do improviso, bafejar de touros,
Tudo isso ergue um secular tesouro,
Rogo jamais que seu cristal se quebre!
V
Grande frevo, um símbolo de luta,
Resistência que o sol forjou nas vidas
Contra elites, a prima investida,
Contra a moda, em riste, a batuta…
Vai vencendo agressões e força bruta,
Levantando um castelo cultural,
Impagável troféu descomunal,
De expressão popular e erudita,
Tradição, modernismo e a bendita
Transcendência voraz do carnaval…
VI
O cabo, a haste, a vassoura, o farol,
Viris imagens do frevo-de-rua,
Imenso rol das façanhas mais cruas
Do militar, da espada e do Sol,
Onde é império, opulento paiol…
Frevo-coqueiro, de notas agudas,
Frevo-de-abafo, contendas raçudas,
E o ventania por onde atua
Semicolcheia que o tempo recua
Pelos metais, na estridência desnuda…
VII
Das saudades, da flor, lira, violões,
Feminina imagem traz os blocos,
No coral, as pastoras são o foco
Propagando solfejos e emoções…
A seguir seus flabelos e brasões,
Pau-e-corda desenha o bailar,
E do nobre poeta, a recriar
Todas glórias eternas do amor,
O cordão invisível faz furor
E evolui na magia do luar…
VIII
Mais um terceiro, o frevo-canção:
Na força herdeira do frevo-de-rua,
Na voz, o cheiro dos blocos da lua,
Traz tão festeiro cantar ao salão…
Vem, a guitarra, ganhar atenção,
Trios elétricos tocam vorazes,
Os seus intérpretes chamam os azes
Para pularem na louca avenida,
Por toda a parte, a geral incontida,
Grita feliz as canções contumazes…
IX
Segue herói, nosso frevo pela estrada
Vai no oito-e-oitenta da emoção
Por um lado essa brasa da paixão,
Pelo outro, essa paz da madrugada…
Ó vilão mais sagrado da emboscada!
Militar mais preciso da folia!
Teu lirismo saúda a noite e o dia,
Tua história ensina a ser guerreiro
Grande frevo, devasso e brejeiro,
Nobre voz que do peito traz poesia…
X
Seguirás forte, nordestino canto,
Nunca fraquejes, meu melhor amigo,
Pois se morreres, morrerei contigo,
Parte-se a lira e todo o seu encanto…
Quero comigo o ardor do manto,
Essa esperança a desfilar renhida,
A resistência que da alma é lida,
Esse clamor, ó meu fiel lanceiro,
Da fé medida, o relutar certeiro,
Nas ruas, blocos e canções da vida…
Poema: Décima do Frevo
Recitado no CD "10 Anos de Poesia" (2010)
Voz de: Renato Phaelante
Músicas incidentais: frevos-de-rua de Luiz Guimarães
Músicas incidentais: frevos-de-rua de Luiz Guimarães
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Carnaval de Pernambuco: Meu Principado
![]() |
| foto extraída do Blog do Coral Edgard Moraes |
Na data comemorativa dos 25 anos de fundação do Coral Edgard Moraes, eu e o meu parceiro Luciano Magno elaboramos uma composição chamada Meu Principado. Para criar o poema, eu me coloquei no lugar das integrantes do referido Coral, que são herdeiras do compositor Edgard Moraes e do seu irmão, o Raul Moraes. Ambos legaram obras musicais de um lirismo ímpar para Pernambuco. Portanto, o texto fala dessa herança musical que elas receberam dos irmãos Moraes. A nossa composição, depois, foi gravada no CD Cantos & Encantos, recebendo um arranjo do Luciano Magno e sendo interpretada por Valéria Moraes e pelo Coral Edgard Moraes. Aqui, segue o poema que gerou a nossa composição:
MEU PRINCIPADO
João Araújo e Luciano Magno
Cresci ouvindo o canto trovador
Do principado dos irmãos Moraes,
Meus ancestrais, que a Lira tanto amou,
Tecendo as suas rendas musicais...
Carrego a Lua, a Noite e o Arrebol
São meus flabelos e a feminina luz
Que eu liberto aqui de dentro é Sol,
Esse cantar, que só o amor produz...
Eu sou Saudade, Aurora contumaz,
Com o Marco Zero do meu coração,
Revejo a minha gente, e é bom demais,
Que chega a gente chora de emoção...
Eu sou a praça que se dá as mãos,
Sou a fusão da força com a paz,
Reinventando um Bloco sem cordão,
Pra além da glória desses carnavais...
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| foto extraída do Blog do Coral Edgard Moraes |
sábado, 24 de janeiro de 2015
Bloco "Flabelos Cantantes" homenageia compositores
Em Pernambuco, o Bloco Carnavalesco "Flabelos Cantantes", cujo presidente é o Ricardo Andrade, realizou uma homenagem a diversos compositores. A ideia foi vestir a ala de fantasiados do Bloco com uma fantasia cuja a estampa traz imagens de vários compositores. Entre esses compositores, tive a honra e alegria de ser homenageado. Na foto abaixo, encontro-me na estampa da fantasia mais a esquerda. Aqui registro a minha gratidão ao presidente do Bloco, diretoria e demais integrantes por essa homenagem.
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| Nas estampas das fantasias os compositores: João Araújo, Ricardo Andrade, Eli Madureira e Edgard Moraes. |
sábado, 13 de novembro de 2010
CD 10 Anos de Poesia
Lançamento
CD 10 Anos de Poesia
10 ANOS DE POESIA E UM ETERNO TRIBUTO
Como numa corrida sadia, sem disputa… Como numa passagem dos genes sem minuta… Como numa música que nas profundezas da mente se escuta… Um gingado magano dilui-se nas querelas-benditas dos becos bêbados de frevos, de sambas, de choros, de cada eternidade-carnaval que se manifesta nesses Arrecifes de Coraisções. As ruas, os blocos, as canções… Cansadas de guerras líricas e maracaturizadas nos suores-tambores que o tempo não vence nunca o ressoar – nem quando, um dia, a matéria deixar a alma solta frevar-se desvairada pelo abstrato – sobem, do peito aos olhos, as lágrimas, cabendo as dores todinhas (expurgando-as), bem como as alegrias extraídas das ansiedades de se não mais querer parar. Um frevo-salto-paraíso-proibido, em décadas a rasgar pernas-tesouras pelos ares e mil sacis de raça forte e sangue quente, relança as misturas e recriações que vão das serenatas boêmias e do metal militar, à afoiteza de um jazz bem-vindo, metendo o bedelho onde sonhava sempre, esbaforido, suar.

Lutou e luta muito o frevo, negro-velho da poeira e da praça, da libertinagem de que a carne humana, sedenta, é feita, num cai-não-cai maloqueirado. A busca, a lasca, o arrocho, o arretado!… Os clarins desse borbulhar corruptelado gritam de ponta-de-pé-de-moleque, preto-multi-branco-misturado, contra as indiferenças e desinteresses ralos. O frevo, zás-de-sombrinha!, vai seguindo, imparável, no andar cortejado, no erguer do flabelo, no evoluir da pastora, no vôo do gato, no bote da cobra. Espalha o seu veneno venerado. Com a musicalíssima raiz sua, ele deixa o legado a um amanhã de compositores-de-fé, de Dudas (impecável-de-sobra); de Nascimentos-vigorosos (com bem merecida nacionalidade adquirida do País do Frevo: cidadão-frevo-rebuscado); de um Galo, único e agigantado, que rompe qualquer limite imaginado; de Blocos Líricos sempre reinventados; de príncipes Moraes e Ferreiras e Santiagos…
De coisa básica é feito, o frevo, de um amolengado da gota serena é constituído; de uma malandragem de caçarola de feira. De palafita, um fino arrastado. De prego, um furo-aventurado… Vai brigando com gente grande, menino danado! O FREVO é gingante. Vai vencendo. Nunca derrotado. Sempre será vilão-imaculado, porque o peito bate em binário. Já repararam?! Pode vir a malícia dos modismos, no aproveitamento dos ilícitos atos, pode vir o que for achado. A raça do frevo é herança infindável. Vai continuar na luta como sempre tem continuado: abençoado.
Este CD comemorativo dos 10 anos da Trupe Lírico-Musical Um Bloco em Poesia é um tributo a todas as manifestações culturais de Pernambuco, especialmente ao Frevo.
Ficha técnica:
Título: 10 Anos de Poesia
Ano: 2010
Repertório:
01 - A MAGIA DOS ETERNOS CARNAVAIS (João Araújo / Dalva Torres) Coral um Bloco em Poesia
02 - RUAS, BLOCOS E CANÇÕES (João Araújo / Luciano Magno) André Rio e Coral um Bloco em Poesia
03 - MONUMENTO ARMORIAL (João Araújo / Adalberto Cavalcanti) Coral um Bloco em Poesia
04 - JARDIM DAS PASSARELAS (João Araújo / Dalva Torres) Coral um Bloco em Poesia
05 - MOTO CONTÍNUO (João Araújo / Luciano Magno) Gustavo Travasso e Coral um Bloco em Poesia
06 - RETALHOS DE UM BLOCO (João Araújo / Evane Sarmento) Coral um Bloco em Poesia
07 - ALÔ, ALÔ RECIFE (João Araújo / Dalva Torres) Coral um Bloco em Poesia
08 - ESTANDARTE POESIA (João Araújo / Adalberto Cavalcanti) Coral um Bloco em Poesia
09 - FREVO E PAIXÃO (Luiz Guimarães) Bruno Simpson
10 - FUNDAMENTOS DA SAUDADE (João Araújo / Dalva Torres) Dalva Torres
11 - A LUZ DOS BLOCOS (João Araújo / Luciano Magno) Luciano Magno e Coral um Bloco em Poesia
12 - BRINCANTES DO CAVALO MARINHO (João Araújo / Dalva Torres) Coral um Bloco em Poesia
13 - RAÍZES DO CINEMA NACIONAL (João Araújo / Dalva Torres) Coral um Bloco em Poesia
14 - MEU FREVO (João Araújo / Samuel Valente) Silvério Pessoa
15 - SENHORA DAS ÁGUAS (João Araújo / Dalva Torres) Ed Carlos e Banda Sinfônica do Recife
16 - DÉCIMA DO FREVO (João Araújo) Renato Phaelante
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- Um itinerário crítico para o imaginário de Mafalda Veiga:
Decomposição de um cancioneiro através da imaginação da matéria
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