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domingo, 11 de agosto de 2019

DE SELENE - (Amazon Deutsch)

JETZT BEI AMAZON ERHÄLTLICH
(Portugiesische Edition)

Buch "DE SELENE" in digitalem Format für Kindle erhältlich:


Mit diesem Buch wollte ich zwischen Poesie und Prosa schreiben. In Bezug auf die Poesie ging es hier darum, kurze Texte zu schaffen, die ein Eigenleben hatten, eine sanfte Poetik und unabhängig voneinander waren. In Bezug auf die Prosa wollte ich eine Art fragmentierten Roman mit einer fast unsichtbaren Figur (oder Figuren?) schreiben. [...]
(Aus Selene - Präambel)

DE SELENE - (Amazon English)

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(Portuguese Edition)

Book "DE SELENE" available in digital format for Kindle:


In this book I intended to "walk" between what is poetry and what is prose. As for poetry the idea here was to create short texts that had a life of their own, soft poetics and were independent of each other. As far as prose is concerned, I aimed to make a kind of fragmentary novel, with an almost invisible character (or characters?) [...]
(From Selene - Preamble)

DE SELENE (Amazon Brasil)

JÁ DISPONÍVEL NA AMAZON
(Edição em português)

Livro "DE SELENE" disponível em formato digital para Kindle:


Com este livro eu pretendi caminhar na sutil corda-bamba entre o que é poesia e o que é prosa. No que diz respeito à poesia a ideia aqui foi criar curtos textos que tivessem vida própria, poética suave e que fossem independentes um do outro. Já no que diz respeito à prosa, almejei realizar uma espécie de romance fragmentado, com uma trama bastante tênue e uma personagem (ou personagens?) quase invisível. [...]
(De Selene – Preâmbulo)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Um Banquete

Um Banquete
(por João Araújo)

O banquete vai ser servido mas, antes, é necessário o seu preparo delicado. Não há festejos, nem solenidades... não há sorrisos... não há nem a regalia das aparências... Onde andará o amphitryon de Molière? Chamem a moça que ficou de vir de vestido longo... e era vermelho... Convites sofisticados em alto-relevo, idades doiradas, batons, pós-de-arroz, jóias e encantos… sumiram todos... Todos não é tudo... As idades pararam... Mas que raio de banquete é este?! Só há um convidado: a preparar tudo, a receber-se, a cumprimentar-se... Corram! Corram! Os criados esqueceram de acender as luzes dos salões! Mas que salões e criados o quê, se nem o singular deu a cara ainda!?... Os holofotes não escusam por esconderem as sombras... A cozinha é fria, a torneira roda, a água cai, a panela enche. Tragam-me da dispensa, um pouco do requinte dos temperos finos e iguarias do Oriente. A governanta conseguiu retornar de Champagne com a lista das compras? Nem a lista, nem as compras... Quem escreveu o quê? E as ovas do esturjão? Onde estão? Nem no chão... Não, parece que ela preferiu ir para Milão... Mas que diacho de banquete é este?! A água é fria, o fogo acende, o metal esquenta. Menina, você é novata: arrume esse uniforme e preste atenção nos mais antigos! Onde está toda a gente? Ela vai ver e rir? Senhor maître, vai querer quantos tipos de canapés? Não importa, o sabor muda de acordo com a esperança... Ponham para gelar as garrafas de vinho das melhores castas. Onde estão todas elas? O salão e as mesas já brilham, de se perderem nas vistas... Está tudo posto como rege a etiqueta, como manda o figurino: colheres, garfos, facas e o cristal das taças sem as marcas dos dedos... Está tudo perdido das vistas... Toda a gente nos seus postos? Para quê? Ela vai ver e rir? E se essa gente tiver medo das suas dores amanhã? Toda a gente? Ela vai ver e rir... Aquele enólogo vai aprovar esse bouquet estupendo e a gente toda vai se perfumar... A gente?! Mas que gente?! A gente vai ver e rir? Se eles tiverem medo da dor, vai alterar o sabor dos canapés... Corram! Avisem a todos sobre as esperanças! Mandem eles virem com as promessas debaixo do braço, além do traje a rigor. Onde está ver e rir? Mas que diabo de banquete é este?! Ajeitem essas gravatas-borboleta. Os portões já estão abertos? Vão abrir urgente, o Tempo pode ser o primeiro a chegar... O fogo insiste, o metal conduz, a água aquece. E se aquela dama estiver com dificuldades com o itinerário? Essa ansiedade, essa expectativa... Isso pode lhe alterar o perfume do vinho... Só há um anfitrião: a sorrir-se, a abraçar-se, a beijar-se... Ao menos os risos forçados ainda se sustentam... Até quando?... Onde ela foi ver e rir? Mordomo Alex! Mordomo Petrius! Tomem tento nos convidados! Poderia ter sido Charles... Madame, oh-ho-ho-hos... Mademoiselle, ih-hi-hi-his... Sintomas de alegrias... Monsieur, com-licenças, eu-peço-desculpas, ah-ha-ha-has, eh-he-he-hes, obrigadinhos pra lá, muitos-prazeres pra cá. Onde estão as vozes, os burburinhos, os cochichos?!... Por falar em prazeres, o que é melhor mesmo: a esperança ou o temor? E se ela pedir para ir ao toilette? Onde ela vai? Onde ela foi? Ver e rir? Um banquete de um homem só... Que danado de banquete é este, meu Deus?! Acho que o bacalhau ficou um pouco salgado... Sonha com um futuro agradável que melhora... A senhorita aceita uma dose de licor? Mas se eu nem participei da ceia ainda... Tudo tem a sua primeira vez... Está bem, vou aceitar só um pouquinho, porque o senhor sabe que eu não estou aqui, não é mesmo?... Só há uma pessoa: a servir-se, a conversar-se, a desconhecer-se... Já o salmão ficou insosso... Nesse caso, cessa a dor que ele vai ficar no ponto. Mas qual delas? Não aprendeu ainda? A maior é claro! Quanto maior a dor estancada, maior o prazer; mas vai logo, pois não dá para aguentar por muito tempo... E o vermelho do vestido? Já chegou? Vermelho é a cor mais rápida! Pelo menos isso: era a promessa que faltava para dar gosto às perdizes... Nos convites indicavam que era para os senhores virem de smokings... Mas e se os Smokings chegarem primeiro? Manda aguardarem no Bar e serve um aperitivo... Quem sabe, com a espera, eles não se transformem no vestido vermelho?... A água recebe, a temperatura aumenta, a matéria agita. Nesse caso, é melhor contabilizar quantas esperanças e quantos temores ainda temos para condimentar o restante dos pratos principais. Não há problemas, os convidados trazem de sobra. Olá, como vai? Caríssimos... Lindinhas... Minhas senhoras... Meus senhores... Seria quase: Respeitável Público! Ladies and Gentlemen! Isso já é exagero... Que banquete medonho é este, meu Deus?! E os irmãos Verri? Confirmaram presença? Não sei se vão tomar champagne... Seja o que for, que tragam as esperanças... Cozinheiras e garçons atentos, ouvi um ruído!... Deve ter sido o amarelo do vestido... Violinos, violas, cellos, sutilezas sonoras: le Orchestre… Os músicos chegaram? E a moça? Está longa e vermelha… Ah, certo, a espera dela... Não, a música... Dela?... O temor vem de black-tie... Isso já sabíamos... Já avisei para tomar cuidado com os singurales da vida... A moça já envelheceu... Ver? Rir? Já não se sabe... Ninguém veio ver e rir... Ninguém vem, venho Eu... Será um banquete de misantropos? Eu só mais Eu... Eu sou Maiseu. Já é alguma coisa. Le misanthrope. Agora sin, de singular… Sim, mas diga quantas eram as esperanças mesmo? Não sei. Poquelin de novo? Nem isso… Só sei que a soma de todas as dores é muito maior do que a dos prazeres. Mas é tanto assim?... Aí você já está querendo saber demais... Pergunta a eles... A matéria ferve, o vapor se espalha, a água borbulha. Eles quem? Os convidados que não existem. Meu Deus! Que banquete!? Droga, me queimei...
MENSÃO HONROSA NO CONCURSO NACIONAL DE CONTOS
MIGUEL SANCHES NETO” EDIÇÃO 2011 - CATEGORIA NACIONAL

Outros Contatos

Veja Links para matérias de João Araújo:

- Um itinerário crítico para o imaginário de Mafalda Veiga:
Decomposição de um cancioneiro através da imaginação da matéria
in Germina - Revista de Literatura e Arte. (link para o artigo)